March 2011
Na verdade, quer saber se eu acho que está. Está?
- Não, meu amor. Você não está… - ele não olha pra mim, seus olhos estão fixos… acompanho-os até me deparar com o sofá. Com a sua roupa, e até sua máscara… o seu verdadeiro rosto. - Você só teve um dia difícil…
Era isso mesmo que eu estava pensando? Com certeza não era isso que ele queria ouvir. Não acho que esteja louco, mas o que ele faz é. Uma tremenda loucura. O que não sei é quanto tempo mais eu posso aguentar suas angústias e perdas… quanto tempo mais eu posso aguentar encontrá-lo no meu quarto e sujar minhas mãos de sangue enquanto cuido de seus ferimentos. Quanto tempo mais eu posso aguentar vê-lo morrer aos poucos por aquilo que nunca mais terá? Quanto tempo mais? Mas, quando volto a olhar em seus olhos, vejo uma esperança que beira o infinito em meio a sua tristeza. Me pergunto quanto tempo ele vai aguentar, e sempre me pego respondendo “até o fim”. Talvez ele se esquece disso… que ele ainda tem fé, mesmo correndo no caminho oposto da felicidade.
- Meus dias… eles são todos assim, Bel.
Ele arrisca a própria vida pelos outros. E por quê? Porque ele pode. Ele ainda tem fé.
- Ainda devo lembrá-lo de que não é feito de aço?
Ele fecha os olhos, e é nesse momento, um breve momento, que ele sorri… sua respiração pesada já não o sufoca. Já dou-me por satisfeita.
- As pessoas lembrarão de você… Estarão gratas, para sempre.
- Não quero que se lembrem de mim, só não quero que sofram o que eu sofri…
- Não pense que vencerá todas as batalhas, meu amor… E quer saber? Eu passaria por tudo outra vez se eu soubesse que te encontraria… Porque tenho fé em você, herói.
A noite está mais calma como nunca, e ele agora se encontra em meus braços, a salvo desta vez.